political writings

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Fala um parlamentar iraquiano
O Horror das Prisões Secretas Iraquianas

No Iraque reina o medo e o terror. Desde 2003 pelo menos 380.000 mulheres, homens e crianças têm sido arrancados brutalmente dos seus lares para serem trancados em centros de detenção e de tortura. Segundo a ONU, 50.000 pessoas seguem estando atualmente detidas pelas forças de ocupação e seus aliados no Iraque. Mas, esta cifra poderia ser infinitamente maior em um contexto de crescente ódio étnico no qual as prisões secretas são legião e as humilhações e torturas uma instituição.

19 de Novembro de 2008 | - : Désinformation OTAN Irak

Mohammed Al-Dainy, parlamentar de Bagdá, é de pai sunita e de mãe xiita, porém, nega-se a definir-se de outra maneira que não seja pela sua condição de iraquiano. Em 30 de outubro veio a Genebra com o jornalista Ali Wajeeh da rede de TV Al-Sharquiyya [1], para dizer que é urgente enviar alguém que investigue nas numerosas prisões iraquianas secretas.

Al-Dainy pode estabelecer a existência de 426 centros de detenção secretos e reunir grande quantidade de documentos, alguns dos quais filmados. Desde 2006 tem visitado trezes prisões secretas. Existem muitas mais: as 27 prisões reconhecidas pelo governo iraquiano e as prisões secretas administradas pelas forças do Pentágono.

Tem atestados de atas de torturas e de violações que provam execuções extrajudiciais e também certificados de defunção dos presos mortos sob torturas.

Quem solicitam visitar as prisões secretas das que tem conhecimento não pode fazê-lo sem autorização do governo”, explica Al-Dainy. “Isto também dá ás autoridades tempo para poder deslocar os detentos antes da nossa visita. Enfrentamo-nos constantemente com este problema. Essa é a razão de que apelemos a uma autoridade internacional que impõe suas próprias condições”.

Frente à pergunta de como Al-Dainy tem conseguido reunir documentos “ultra-confidenciais” e andar dentro das prisões, responde que se beneficia de seu “estatuto de parlamentar” e que era seu dever acudir a esses lugares quando soube que existiam. Às vezes tem podido se beneficiar da desorganização reinante para entrar nas prisões e fazer rodas de visita.

Em algumas celas temos chegado a contar 200 pessoas; em outras até 700. Estão misturados mulheres, idosos, crianças e homens”, explicou. “Dos treze centros que visitei, três estavam sob a administração mista estadunidense e iraquiana. Trata-se de Al Dial, Al Karmiya e Sahat Al Usur”.

O jornalista Ali Wajeeh, director de noticiários da [rede de televisão] Al-Shrquiyya, evocou, por seu lado, o assassinato de quatro colegas faz duas semanas. Os seqüestraram, torturaram e executaram quando preparavam uma série de programas a partir dos documentos e vídeos proporcionados por Al-Dayni. Desde 2003 foram assassinados no Iraque 461 jornalistas. Mias de mil abandonaram o país.

Quem são os assassinos? No Iraque tem atualmente 160.000 mercenários que utilizam suas armas contra os civis. “Vieram ao Iraque dizendo que iam proteger os direitos humanos. Mas, foi pior o remédio do que a doença. E a ONU não diz nada sobre isso”.

Al-Dainy tem confiado muitos documentos à ONG árabe Al-Karama. “Haverá que fazer uma seleção entre todos estes documentos”, comenta seu responsável Rachid Al-Mesli. “E a continuação haveria que ir sobre o terreno para contrastar toda a informação, verificar a veracidade de cada documento. Nós não temos capacidade para levar a cabo esta missão. Por isso é absolutamente necessário instaurar um tribunal internacional, como pede Al-Dainy, e nomear uma comissão para fazer este trabalho”.

As duas testemunhas iraquianas têm feito um chamado a Nações Unidas para que abra uma investigação internacional sobre o assassinato de dois deputados, nomeie um relator especial para o Iraque e estabeleça um Tribunal Internacional que julgue urgentemente os crimes mais graves.

Temos escutado seu desgarrado testemunho com um sentimento de horror.

Silvia Cattori

Declarações recolhidas aquando da conferência que teve lugar no Clube Suíço da Imprensa, na quinta-feira, 30 de Outubro de 2008.

Versão em português: Raul Fitipaldi, de América Latina Palavra Viva (19.11.2008).
http://www.alquimidia.org/desacato/index.php?id=2031&mod=noticia

Traduzido do francês ao espanhol por: Beatriz Morales Bastos (12.11.2008)
http://www.rebelion.org/noticia.php?id=75777

Enlace com o original (09.11.2008):
http://www.silviacattori.net/article605.html

Outra tradução em português do presente artigo, de Ana da Palma por infoalternativa.org (25.11.2008):
http://infoalternativa.org/spip.php?article314



[1Convidado pela ONG ALKARAMA for Human Rights. Veja :
http://en.alkarama.org/index.php ?option=com_content&task=view&id=150&Itemid=1