political writings

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Crimes cometidos por Israel
O ataque chamado “Chumbo fundido” ou a barbárie de um Estado racista

A guerra empreendida pelo exército israelense contra Gaza mostra, uma vez mais, a extraordinária selvajaria deste exército qualificado pelos propagandistas de “o mais moral do mundo”. Estes bárbaras agressões contra o povo palestino sob ocupação não seriam possíveis sem a cumplicidade dos nossos Estados democráticos e de jornalistas ignorantes ou desonestos. Esta impunidade concedida a Israel é intolerável. Nunca há qualquer respeito pelo direito internacional, quando se trata de vítimas árabes e muçulmanas.

Silvia Cattori conseguiu alcançar em Gaza, o jornalista palestino Rami Almeghari(*).

31 de Janeiro de 2009

A situação aqui é muito, muito perigosa. Indescritível. Mesmo nós, jornalistas repórteres, já não conseguimos acompanhar as notícias. Chegam alarmantes segundo após segundo. Faço o meu melhor para saber o que se passa nas diferentes áreas.

É uma guerra real. Uma guerra muito desgastante e psicologicamente traumática. A invasão terrestre atingiu em primeiro lugar o norte de Gaza. Foi em Jabaliah que terão tido lugar os mais violentos combates.

Todas as comunicações estão cortadas; toda a rede de comunicação de Gaza foi danificada. Posso comunicar um pouco porque estou ligada a um gerador eléctrico.

É uma verdadeira catástrofe! Estamos imobilizados no interior das nossas casas. Tudo está paralisado. Nada se move, com excepção das ambulâncias que transportam os mortos e os feridos que podem ser evacuados. É uma situação desastrosa e ninguém pode saber o que ainda está reservado.

Eles ainda estão na disposição de bombardear e de tudo arrasar. As autoridades israelenses disseram que ainda iriam empenhar mais tropas. Como é que essas pessoas que se dizem civilizadas podem comportar-se desta maneira? Que tipo de civilização é esta?

O movimento Hamas pode comunicar com a população?

Não é um governo: Gaza, não é um país. Israel e a comunidade internacional impediram o Hamas, uma vez eleito, de ter um verdadeiro governo e meios para fazer funcionar as instituições. Ele fez o melhor que pôde com os poucos meios à sua disposição.

Nascemos aqui; não podemos partir; não vamos partir, mesmo que disparem sobre as nossas cabeças e destruam as nossas casas.

Se os egípcios abrirem a porta, você não vai fugir?

Eu não partirei. Para onde ir? Para onde o regime egípcio vai torturar-me? Reprimir-me ainda mais do que os israelitas? É um regime muito repressivo.

Você é um pessimista?

Eu nunca sou pessimista. Eu sei que veremos finalmente a luz no final deste túnel.

Estou bastante desgostosa e envergonhada porque o meu governo não reage a favor da justiça em Gaza!

Só o seu governo se deve sentir culpado. Não você. Sabemos que há, lá fora, muitos seres humanos que estão ao nosso lado.

O que está a acontecer é uma tremenda injustiça. É uma terrível injustiça feita aos palestinianos!

Já em 2004, o exército israelita utilizou bombas com urânio empobrecido. Isso foi publicado. Mas nenhum Estado condenou jamais Israel.

Agora, é o mesmo [1]. Nenhum dos governos está preocupado connosco, como se nós, os palestinianos, viéssemos de outro planeta, como se não fôssemos humanos.

Tudo isto atinge-nos tão duramente porque um movimento religioso chegou ao poder através das urnas! É realmente paradoxal!

Que aqueles que nos governam sejam islâmicos ou não, a Palestina representa uma situação única que deve ser tratada com tacto. Muito delicadamente.

Mas os poderes envolvidos no nosso esmagamento não querem ouvir, não querem tratar-nos com compreensão.

Infelizmente para nós, existem governos árabes e partidos palestinos [o Fatah e as autoridades corruptas de Ramallah financiadas pela União Europeia e pelos Estados Unidos, NdA] que ajudam o ocupante a esmagar-nos.

Entrevistado por Silvia Cattori

(*) Rami Almeghari escreve actualmente para diversos meios de comunicação, nomeadamente The Palestine Chronicle, aljazeerah.info, IMEMC.org, The Electronic Intifada e Free Speech Radio News.

Tradução: Informação Alternativa (31/01/2009)
http://infoalternativa.org/spip.php?article518

Original em francês (04/01/2009):
http://www.silviacattori.net/article672.html



[1Segundo a Press TV, que tem actualmente correspondentes no terreno em Gaza, os médicos encontraram vestígios de urânio empobrecido sobre os feridos atingidos por bombas israelenses desde 27 de Dezembro de 2008. Ver: “Depleted uranium found in Gaza victims”, Press TV, 04/01/2009.