political writings

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Gaza
Ismail Haniyeh: Minha mensagem ao Ocidente - Israel deve parar o massacre

Escrevo este artigo aos leitores Ocidentais através de todo espectro social e político enquanto a máquina israelense de guerra continua a chacinar o meu povo em Gaza. Até o dia de hoje, quase 1.000 foram mortos, quase metade deles são mulheres e crianças.

17 de Janeiro de 2009

O bombardeio desta semana na escola da UNRWA (Agência de Assistência e Trabalho da ONU) no campo de refugiados de Jabalya foi um dos crimes mais desprezíveis inimagináveis, enquanto centenas de civis tinham abandonado suas casas e procurado refúgio na agência internacional sómente para serem implacavelmente atacados por mísseis e bombardeados por Israel. Quarenta e seis crianças e mulheres foram mortas nesse horrendo ataque enquanto inúmeras foram feridas.

Evidentemente, a retirada de Israel da Faixa de Gaza em 2005 não acabou sua ocupação, nem, em consequencia, com suas obrigações internacionais como poder ocupante. Continuou a controlar e a dominar nossas fronteiras por terra, mar e ar.

De fato a ONU confirmou que entre 2005 e 2008, o exército israelense matou quase 1.250 palestinos em Gaza, incluindo 222 crianças. Na maior parte desse período em que os cruzamentos de fronteira permaneceram efetivamente fechados, com sómente quantidades limitadas de alimento, combustível industrial, alimentos para animais e alguns outros itens essenciais, foram permitidos.

Apesar de seus esforços frenéticos para ocultá-la, a causa fundamental da guerra criminosa de Israel em Gaza são as eleições de janeiro de 2006, que viu a vitória do Hamas por uma maioria substancial. O que se seguiu em logo após, foi que Israel ao lado dos Estados Unidos e da União Européia associaram-se numa tentativa de reprimir a vontade democrática do povo palestino.

Eles começaram por tentar inverter o resultado, primeiro por obstruir a formação de um governo de unidade nacional e depois tornand a vida do povo palestino um inferno pelo estrangulamento econômico. O fracasso abjeto de todas estas conspirações finalmente levaram a esta guerra brutal.

O objetivo de Israel é silenciar todas vozes que expressam a vontade do povo palestino; depois imporia seus próprios termos para um acordo final privando-nos de nossa terra, nosso Direito à Jerusalém como a capital legítima de nosso futuro Estado e o Direito dos refugiados palestinos à retornarem a seus lares.

Finalmente, o cerco total em Gaza, que viola manifestadamente a Quarta Convenção de Genebra, proibe que nossos hospitais disponham dos suprimentos médicos mais básicos. Ele impede a entrega de combustível e o fornecimento de eletricidade à nossa população. E no topo de todo esta desumanidade, ele nos negou alimentos e a liberdade de movimento, mesmo para procurar tratamento. Isto levou à morte evitável de centenas de pacientes e o crescimento vertiginoso da malnutrição entre nossas crianças.

Os palestinos temem que os membros da União Européia não vejam este cerco obsceno como uma forma de agressão. Apesar da evidência esmagadora, eles desvergonhadamente afirmam que Hamas atraiu esta catástrofe sobre o povo palestino porque não renovou a trégua.

Então nós colocamos a seguinte questão: Israel honrou os termos da trégua mediada pelo Egito em junho? Não. O acordo estipulou um levantamento do cerco e um fim aos ataques na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Apesar de nossa plena conformidade, os israelenses persistiram em assassinar palestinos tanto em Gaza como na Cisjordânia, no período que ficou conhecido como o ano da paz de Anapolis.

Nenhuma das atrocidades cometidas contra nossas escolas, universidades, mesquitas, ministérios e infraestrutura civil não nos deterão na busca de nossos Direitos Nacionais.

Indubitavelmente, Israel pode demolir cada prédio na Faixa de Gaza mas nunca destruirá nossa determinação nem a nossa tenacidade em viver com dignidade na nossa terra.

Certamente, se a reunião de civis num prédio para só então bombardeá-lo ou o uso de bombas de fósforo e mísseis não são crimes de guerra, então o que é? Quantos mais tratados e convenções internacionais deve Israel sionista quebrar antes de ser julgada responsável? Hoje não há mundo uma capital onde pessoas livres e decentes não estejam escandalizadas por esta brutal opressão. Nem a Palestina nem o mundo será o mesmo depois destes crimes.

Há uma única perspectiva e nenhuma outra. Nossa condição para uma nova trégua é clara e simples. Israel deve acabar sua guerra criminosa e a matança do nosso povo, retirar completamente e incondicionalmente o cerco ilegal da Faixa de Gaza, abrir todos os nossos cruzamentos de fronteira e se retirar completamente de Gaza. Depois do que examinaremos as opções futuras.

Finalmente, os palestinos são um povo lutando para se libertar da ocupação e pelo estabelecimento de um Estado independente com Jerusalém como sua capital e o Retorno dos Refugiados às suas aldeias de onde eles foram expulsos.

Qualquer que seja o preço, a continuidade dos massacres de Israel não quebrarão nossa vontade nem nossa aspiração à liberdade e à independência.

O escritor é o primeiro-Ministro de Gaza - Palestina
The Independant
15 de janeiro de 2009.